Depois de uma noite horrorosa que passei, dormindo uma média de 3h..se chegou a isso, acordei linda às 6h pra trabalhar no meu honroso e emocionante emprego de Enfermeira!
O de sempre seu Zé! Dirijo ouvindo a mesma rádio, vejo os mesmos carros muitas vezes, penso as mesmas coisas na mesma hora, tirando os momentos em que eu xingo alguém ou que preciso me concentrar em uma manobra phantárdiga. Chego no hospital, bato meu cartão sempre antes da hora, (6:59:54s), mas sempre antes e já vou seca preparar um café na cafeteira paraguaia que habita a supervisão. Tudo bem, pode vir mais pó do que café propriamente dito no meu copinho de plástico, mas acho que esse pó é que ta me dando onda pra trabalhar o dia todo loucamente.
Sabe aquele dia que o hospital está um caos? Que você pisa no seu andar e pensa: "PQP, como eu queria minha cama, meu ursinho e meu edredon?", pois é. Hoje foi um dia desses. Você vai descer pra levar um exame e dá de cara com a família de um paciente que você cuidou há 2 dias atrás e simplesmente alguém de 1, 45cm de altura, te abraça como se você fosse a mais próxima da família e chora. Chora copiosamente. E você com um papel pra autorizar na mão, com cobrança em cima da autorização daquele papel e simplesmente presa naquele momento tão cinza e chuvoso para aquela mãe de família que apertava os olhos sobre meu peito. O que alguém poderia te falar naquele momento tão triste? Algo que eu talvez não esperasse naquele momento, muito menos naquele dia tenso e que eu queria mais era estar em casa. Ela simplesmente me olhou depois de me abraçar e chorar 5min e falou: "Muito obrigada! Obrigada por tudo que você e sua equipe fizeram pelo meu marido. Obrigada pelo cuidado, conforto, paciência, dedicação, obrigada por existirem. Se não fosse por vocês, talvez tudo seria muito mais difícil do que ja é." Confesso que meus olhos marejaram, mas eu não podia pedir colo pra alguém que acabara de chorar no meu peito. Respirei fundo e falei meia dúzia de coisas que a gente sempre diz pra confortar alguém que sofre pela perda do outro.
Entreguei meu pedido e fui calada e pensativa voltar ao meu batente. Pensei: "É, quando a gente menos espera, as pessoas que vimos poucas vezes e apenas demos o mínimo que nos cabia naquele momento, nos agradece aquele "mínimo" no momento da sua mais profunda dor. E eu to reclamando da vida?" Porra! Que injustiça,né?
Depois daquele episódio, milhares de coisas aconteceram no andar, na emergência adulto e pediátrica e eu lá,fazendo a linha escrava Isaura branca e com o pensamento voltado ao resultado das minhas ações. Até um leve "chamado" da chefia levei hoje por não abaixar a cabeça pra algumas pessoas dentro da instituição e fiquei pasma: Não alterei meu humor. Hoje é dia de pagamento, por que absorver energias negativas naquele momento? Eu quero é CONTRACHEQUE!rs
Brincadeiras à parte, percebi que por mais que eu passe o mês inteiro ralando, levando daqui, dali, passando pelas situações mais inusitadas possíveis, no final do mês tendo meu contracheque bonitinho e meu dinheiro depositado....um gesto simples e inusitado de alguém que você mal conhece, transforma o seu dia de forma que você até esquece que ganha pouco, se estressa muito e que tem problemas pessoais.
Belo dia cinza e chuvoso.
Que lindoooooooooooooooo amiga!!! Me emocionei e consegui me colocar no seu lugar um pouquinho e "enxergar" com seus olhos esse seu dia cinza e chuvoso mas lindo. Assim é a vida, minha amiga, muitas vezes nós fazemos algo sem nos dar conta do quanto especial foi o nosso gesto para outra pessoa, e é gratificante o reconhecimento depois, assim, inesperadamente. Continue escrevendo, sempre que eu puder virei ler pois vc escreve muito bem. Sinto falta dos tempos em que eu tb tinha um blog e tentava traduzir sentimentos em palavras, quem sabe um dia eu tb volte a divulgar meus pensamentos. Faz bem né? Estou orgulhosa de vc, pelo blog tb, mas principalmente por ver que está fazendo muito bem o seu trabalho! Beijo da sua amiga Bacurex.
ResponderExcluirNunca deixe de escrever!
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